Eu não sei quantas vezes te vais matar até eu cair. Eu não sei quantas vezes vais fugir para não voltar. Eu não sei qual das fugas iguais será excepção. E talvez um dia seja eu a largar a mão. Eu quero ver quantas vezes me vais ferir até ganhar. Quero saber se o que vem te dá razões para confiar, e entender que eu te sei sarar, te sei fazer feliz. Hoje vou-te querer roubar outra vez. Hoje vou-te querer provar outra vez. Vem viajar e ficando pra depois, os dois. E ninguém te vai prometer que é para sempre a paixão. E ninguém te vai jurar que é o fim da solidão. Mas eu não te sei apagar sem que possas entender: o que o acaso nos mostrou a razão fez esquecer. Porque eu sei que existir ao pé de ti é bem melhor. Eu sei que depois da tempestade vem azul. Eu já sei de cor o espaço do teu corpo para mim. Hoje vou-te querer roubar outra vez. Hoje vou-te querer provar outra vez. Vem viajar e ficando pra depois, os dois. Eu não sei quantas vezes te vais matar até cair. Mas se é tão fácil escurecer e tão simples eu fugir. Hoje vou-te querer roubar outra vez. Hoje vou-te querer provar outra vez. Vem viajar e ficando pra depois, os dois.

Tiago Bettencourt - Os Dois

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