18 de janeiro de 2015

Impasse

Se pensar no último momento em que fui realmente feliz, consigo dizê-lo em menos de um segundo. Mas saber que esse momento já foi há muito tempo atrás, deixa-me preocupada. Estou habituada a ser uma pessoa pouco feliz; são raros os momentos de felicidade, pois nunca nada foi suficiente para que a minha alma permanecesse sorridente. Houve sempre um dia menos bom, um golpe profundo, uma cicatriz que me tornou vulnerável.
Se pensar no dia de hoje apenas sei que a chuva ainda cai lá fora e que o dia foi demasiado deprimente por ter estado a estudar para os próximos exames.
E o meu coração? Onde anda aquele sofrimento de um amor não correspondido ou a ilusão de uma palavra mais ousada? Não existe vontade. Não existe dedicação. Nem sequer sei onde encontrar a necessidade de querer algo que nunca terei. Talvez tenha desistido.
E, por fim, cheguei a uma brilhante conclusão. Tropecei num insuportável impasse. Já não sei escrever. A minha mente já não sabe traduzir em palavras o que estou a sentir. E é esta dedução que me faz questionar: será que ainda sinto?

3 comentários:

  1. Impossível ler esse texto e não recordar dos inúmeros impasses pelos quais passei e imaginar tantos outros que ainda estão por vir. Estou eu mergulhada num impasse, sem saber o que escrever, o que sentir, o que fazer. Mas não é necessariamente o fim, talvez futuramente seja uma motivação para algo melhor.

    Beijão, querida.
    eraoutravezamor.blogspot.com

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  2. M, tenho imensa pena que o teu blogue continue desactivado. Tenho saudades de ler as tuas palavras. Espero que voltes um dia!

    Um beijo enorme!

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  3. já somos duas..."Nem sequer sei onde encontrar a necessidade de querer algo que nunca terei." esta lindo isto

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