Odeio-te


Bem me quer. Mal me quer. Eu sei que ela não me quer. Sei, simplesmente, que não a mereço. Mas o coração é traiçoeiro e ela será sempre o meu ponto fraco. 
Já passaram três anos desde que fiz as malas para partir e não mais voltar. Não tinha bem a certeza para onde ia. Sabia apenas que o deveria fazer para o nosso próprio bem. 
Mal não fez, mas nada melhorou significativamente. O seu rosto ainda vagueia pelos meus pensamentos e posso jurar que a minha pele ainda tem o cheiro dela. Aquele doce perfume que me enlouquecia.
Mas eu não a mereço. Não depois de tudo o que a fiz passar.

– Odeio-te! - disse ela de olhos encharcados.

Nenhuma bala mataria tão lentamente, nem as maiores garras rasgariam tão profundamente. Entendi naquele momento que a dimensão do meu amor por ela não poderia ser medido. E esse amor seria a minha ruína. Por isso, parti. Sem desculpas, sem um beijo de despedida. Parti sem qualquer intenção de seguir em frente. A verdade é que ainda estou a tentar não pensar nela, mas não consigo.

6 comentários:

  1. Fiquei arrepiada , há qualquer coisa na tua escrita que me cativou :)

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  2. O amor... tão belo e ainda assim capaz de abrir as mais profundas feridas.

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  3. O amor pode ter algo forte e bom, como por ser o oposto!

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  4. E talvez demore até te esqueceres dela, porque, lá no fundo, a vontade que tens é precisamente o oposto. Há feridas que nos parecem acompanhar para sempre.


    r: Muito, muito obrigada! É gratificante ler isso.

    Volta sempre que quiseres*

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  5. r: Emocionalmente falando, ainda bem que é fictício então :)
    Eu é que agradeço*

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