28 de agosto de 2015

Queria uma eternidade contigo


Como assim já passaram seis meses sem te ver? Seis meses sem ouvir a tua voz? Como é que existo sem ti há seis meses? O tempo passa a correr, mas parece que foi ontem que falei contigo pela última vez.
- Adeus Vó. Vê lá se descansas!
Lembro-me tão bem das últimas palavras que te disse. Lembro-me tão bem dos últimos dias que passei contigo. A mulher forte já tinha perdido contra a doença, mas lá no fundo sei que ainda eras cheia de vida. Vida essa que te escapou das mãos. Não foi culpa tua. Não foi culpa de ninguém. Foi simplesmente a vida.
O nó na garganta já se formou. Ainda não consigo falar de ti sem querer ir a correr para tua casa para te abraçar. Ainda choro de cabeça enterrada na almofada para ninguém ouvir quando penso que vou passar o resto da minha vida sem olhar para ti uma vez mais.
As lágrimas já percorrem o meu rosto. Desculpa não te ter ido visitar ao hospital. Achei que não iria suportar ver-te em sofrimento. Na verdade, acreditei ingenuamente que ainda havia tempo para te ver sorrir. Esse tempo não chegou. Apenas te levou para longe.
Tu sabes que eu nunca aceitei nada que não visse com os meus próprios olhos, sempre fui “ver para crer”, mas quando partiste senti uma necessidade enorme de acreditar que algo maior existe. Precisei e preciso de acreditar que, onde quer que estejas, te encontras bem e protegida, da mesma forma que sempre me protegeste e como eu pensei poder proteger-te nos nossos últimos dias.
Se fizermos bem as contas, sabias que foste a pessoa com quem eu passei mais tempo nos meus vinte e dois anos de vida? Souberam a pouco, agora que penso nisso. Queria uma eternidade contigo.
Foi quando te perdi que entendi que nunca me iria sentir plenamente feliz. Totalmente completa. Uma parte de mim morreu contigo.
Todos os dias me lembro de ti. Umas vezes porque alguém fala de ti, outras porque sinto a tua falta para sempre.
Seis meses e ainda tenho a minha vida pela frente. Ainda tenho tantas coisas para te contar. Um dia destes, agarrei no telemóvel e pensei ligar-te. É estúpido, eu sei, mas queria tanto ouvir a tua voz.
Seis meses e fazes-me falta. Fazes falta a todos nós. Gostava que a Inês e o Pedro pudessem ter vivido tantos momentos quantos os que eu vivi contigo. Gostava que a mãe pudesse ter com quem falar sobre as promoções da semana nos supermercados. Gostava que o tio pudesse ter ido almoçar contigo mais vezes ao domingo. Gostava que o avô não se sentisse perdido. Queríamos uma eternidade contigo.
Seis meses e eu não vejo a hora de te voltar a encontrar.

Amo-te Gorda ❤️

A tua nina

3 comentários:

  1. acreditas que me vieram as lágrimas aos olhos?! lindo, é só o que tenho a dizer!* e esteja a tua avó onde estiver, de certeza que está a olhar por ti, e por todos aqueles que ela amava.

    ResponderEliminar
  2. Forças para ti! Acredito que ela céu dos velhinhos, quem sabe até não conhece a minha bisa que se foi tem 1 ano.

    ResponderEliminar