Eu amava-te mais do que me amava a mim própria


O que fazemos quando a vida nos deixa sem chão? Ou melhor: o que fazemos quando o nosso amor está de partida?

Há seis meses atrás, eu sentia-me feliz. Tu ao meu lado. A nossa casa. Um futuro a dois. O que poderia mudar tão repentinamente para não me quereres mais? Foste embora sem me dar uma justificação nem um beijo de despedida, sabias? Espero que, pelo menos, saibas o quanto isso me magoou. Mas o que mais me custou foi não ter entendido que nada estava bem, quando achava que estava tudo perfeito. Talvez não seja a palavra mais indicada, pois todos os casais têm as suas discussões passageiras. Nós não éramos excepção. Nunca achei que isso fosse a razão pela qual estás de partida mas também não obtive da tua parte a verdadeira resposta.

Nesta casa, agora vazia, estou sentada naquela nossa janela, onde ficávamos horas a conversar quando chegávamos do trabalho. Eu contava-te o meu dia, tu contavas-me o teu e fomos tão felizes assim.

Nesta casa, agora vazia, restam apenas as memórias e a esperança do que podíamos ter sido.

Com estas palavras, cheguei a uma conclusão; uma a que não pretendia chegar, porque achei que fossemos para sempre. Eu amava-te mais do que me amava a mim própria. Agora, tenho de reaprender tudo de novo.


Patrícia Lobo
Romântica incurável, convicta de que é o amor que nos move. Portuguesa. Filha mais velha dos melhores pais do mundo. Mas, sobretudo, menina do papá. Amante de letras e números. Viciada em séries, música e beijos na testa.
Vinte e três anos, um metro e cinquenta e oito de altura. Sou muito mais do que aquilo que penso ser. Quero ser muito mais do que aquilo que sou.

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